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Turismo

21/07/2015 11:26

Indícios da presença do homem primitivo e indígenas são encontrados em Castelo

A cidade de Castelo localizada no norte do estado do Piauí a 190 km da capital Teresina, que já foi chamada na língua indígena de Ubiara, que quer dizer algo similar a terra de água boa, é um verdadeiro tesouro para a arqueologia.
Imagem: Juscelino ReisSítio Arqueológico Castelo Velho, Barroca dos Miguel(Imagem:Augusto Júnior)Sítio Arqueológico Castelo Velho, Barroca dos Miguel
O município de Castelo do Piauí está localizado na região centro-norte do estado do Piauí, situando-se na latitude Sul 5° 19’ 20” e longitude Oeste 41° 33’ 09” e a altitude da sede é de 239 metros acima do nível do mar. Limita-se ao norte com Sigefredo Pacheco e Juazeiro do Piauí; ao sul com São Miguel do Tapuio; a leste com Juazeiro do Piauí e Buriti dos Montes e a oeste com Novo Santo Antonio e São João da Serra.

Existem na região, fortes indícios da presença do homem primitivo através das inscrições rupestres (gravuras e pinturas) grafadas nas paredes dos imensos paredões de pedra e de vários artefatos e material lítico, confeccionados para o uso no cotidiano, como machadinhas de índio, além de vários pilões feitos nas rochas. Segundo alguns arqueólogos, essas populações que deixaram marcas espalhadas por quase todo o município, eram denominadas de tradições, que dependendo das características, recebiam as denominações de Nordeste, Agreste e Geométrica.
Imagem: Augusto Júnior                                                        (Imagem:Augusto Júnior)
A classificação dos registros rupestres em Tradição Nordeste é uma definição criada para os grafismos encontrados no estado do Piauí. A nomenclatura Tradição Nordeste foi homenageando a região brasileira, devido à maior concentração de registros rupestres. Porém, aparecem noutras regiões do Brasil os mesmos tipos.
Imagem: Augusto Júnior                                                   (Imagem:Augusto Júnior)
São definidas de Nordestes as figuras esquemáticas e emblemáticas de antropomorfos (Pessoas), zoomorfos (animais) e fitomorfos (plantas) que apresentam a idéia de movimento. Eram representadas cenas do cotidiano, como cerimonial religioso, lutas, atos de sexo, etc. Nessa tradição dar interpretar as cenas retratadas, sendo o dinamismo a característica marcante desse grupo.
Imagem: Juscelino Reis                                          (Imagem:Juscelino Reis)
Os registros rupestres da Tradição Agreste são mais toscos, rudes, e em dimensões maiores que a Tradição Nordeste. Na maioria das vezes representam seres estáticos, sem movimento, ou sugerindo pouco movimento. Nesta classificação, os antropomorfos apresentam-se de forma isolada, de difícil compreensão, chamados de “grafismos puros”, não tão bem elaborados como na outra tradição. Existem também muitas representações lagartos e répteis que são animais muito comuns no ambiente semi-árido coberto pela caatinga.
Imagem: Juscelino Reis                                       (Imagem:Juscelino Reis)
Imagem: Juscelino Reis                                               (Imagem:Juscelino Reis)
Já a Tradição Geométrica é caracterizada por pinturas que representam uma maioria de grafismos puros e algumas mãos, pés, figuras humanas e de répteis extremamente simples e esquematizadas, além de rabiscos e símbolos geométricos. Esta tradição pode ser originária do nordeste do Estado do Piauí. É na Serra de Ibiapaba, limite com o Ceará, onde existe a maior concentração até agora conhecida.
Imagem: Augusto Júnior                                         (Imagem:Augusto Júnior)
Essas pinturas eram feitas com hematita, um composto formado por óxido de ferro, era retirado um corante da própria vegetação que em seguida era aquecido e depois misturado com a hematita, ficando nas cores vermelha (hematita pura) e amarela (hematita hidratada). A cidade de Castelo do Piauí além de ter umas das maiores concentrações de arte rupestre do estado do Piauí, ainda possui um diferencial, porque os seus sítios têm a chamada policromia, que é uma variedade de cores de pinturas rupestres. Além das cores mais freqüentes (vermelho e amarelo) existem ainda o preto e o branco. A cor branca é derivada de rochas como a gipsita e a caulinita, que são raras. Por não terem sido feitos, estudos com mais aprofundados nas pinturas dos sítios arqueológicos de nossa região, não podemos classificá-las em nenhuma dessas tradições citadas, e sim dizer que existem muitas semelhanças.
Imagem: Augusto Júnior                                                   (Imagem:Augusto Júnior)
Já foram catalogados mais de 50 sítios arqueológicos que estão espalhados por quase toda a zona rural da cidade, com destaque para a comunidade.

Indígenas

As cavernas ou furnas, como são conhecidas na cidade, também apresentam marcas e indícios de algumas tribos indígenas, como os Tabajaras, os Tapuias e os Tacarijus, já que o lugar fica bem próximo da fronteira com o Ceará, de onde vieram fugidos por causa da catequização jesuítica. Os padres jesuítas Francisco Pinto e Luiz Figueira desceram a serra e tiveram contato com essas tribos. Na tentativa de catequizar os tapuias, Pe. Pinto foi brutalmente assassinado por essas tribos.

Segundo Pe. Cláudio Melo no livro “O Mártir do Padre Pinto”, o provável local do massacre do jesuíta está localizado na área que vai desde os paredões rochosos dos Picos dos André até a fazenda Cabeça do Tapuia, que corresponde ao atual município de São Miguel do Tapuio.

Mesmo alguns autores defendendo a tese que essas tribos foram totalmente exterminadas, na região já foram encontrados muitos artefatos, como instrumentos de pedra, material lítico, arcos de madeira (bestas) usados para caça, além de costumes e hábitos da cultura desses povos etc.

Texto: Augusto Júnior 
Fotos: Augusto Júnior e Juscelino Reis

Vejam mais fotos:
Imagem: Augusto Júnior                                           (Imagem:Augusto Júnior)
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