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Política à Flor da Pele

15/02/2012 08:49

Nestor Neto: Um jovem militante peemedebista

Imagem: Daniele BarretoClique para ampliarNestor Neto acompanhado de Michel Temer(Imagem:Daniele Barreto)Nestor Neto acompanhado de Michel Temer
Quem vê um jovem aguerrido palestrando sobre Política para dezenas de crianças e adolescentes em uma escola no município de Salvador possivelmente estranhará a foto tirada em novembro de 2011, em Brasília, ao lado do vice-presidente da República Michel Temer. A imagem do paulista que trilha carreira pública desde 1983 – e que já se viu envolvido na Operação Castelo de Areia e na Operação Caixa de Pandora, ambas da Polícia Federal – contrasta com o rapaz idealista que costuma em sua militância ou nas redes sociais instigar a todos que não percam a capacidade de indignação frente ao comportamento reprovável de alguns políticos e que cobrem soluções para os problemas sociais que afligem o povo brasileiro.

O militante peemedebista que ladeia Temer é Nestor Neto. Filiado ao Partido do Movimento Democrático do Brasil, Nestor mora na Mata Escura – populoso bairro de Salvador, cujos cem mil habitantes possuem diversos problemas urbanos relacionados ao transporte público, limpeza pública e esgotamento sanitário. O bairro também abriga a Penitenciária Lemos de Brito, maior do Estado. O local simboliza o ecletismo religioso de Salvador, com muitas igrejas evangélicas, católica e um tradicional terreiro de candomblé; mas carece de praças e áreas públicas de lazer – assim como de segurança, não se diferenciando, nesse aspecto, de nenhum outro bairro da capital baiana.

Nestor Neto é o terceiro entrevistado da série “A Juventude Politizada!”, da coluna “Política à Flor da Pele”.

Daniele Barreto, “Política À Flor da Pele”: Nestor Neto, quem é você?

Nestor Neto – PMDB: Um jovem que milita pelas causas sociais desde a década de 90, que busca a melhoria da sociedade e vê na política o caminho direto e preciso para este fim. Aos 30 anos, formado em Administração, atuo no PMDB, partido que sou filiado desde 2003, como Presidente Estadual da Juventude, Secretário Nacional da Juventude e Tesoureiro do Diretório Municipal PMDB de Salvador. Sou morador do bairro de Mata Escura, periferia da cidade de Salvador, comunidade pela qual luto pelo seu desenvolvimento e melhoria.

Colunista: E como se deu o ingresso na trajetória política?

Nestor Neto – PMDB: Iniciei minha vida política nas escolas públicas municipais onde estudava, participando ativamente de grêmios estudantis, desenvolvendo várias atividades de luta em busca de melhores condições para o trabalho oferecido nestas escolas.

Colunista: As primeiras experiências foram no movimento estudantil...

Nestor Neto – PMDB: Em 2003 fui um dos idealizadores da “Revolta do Buzú”, um dos maiores movimentos sociais do país, onde lutávamos contra o aumento da passagem de ônibus e melhoria do transporte público oferecido a cidade de Salvador. Em seguida assumi a Presidência da ABES (Associação Baiana dos Estudantes Secundaristas), ampliando assim a nossa luta em defesa dos estudantes a partir de uma entidade histórica e bastante representativa dos estudantes da Bahia.

Colunista: E o que o mobilizou à política partidária?

Nestor Neto – PMDB: O que me mobilizou foi a causa social, sempre lutei por uma série de mudanças. Acredito que através da política podemos transformar nossos anseios em realidade.

Colunista: Como você vê os partidos de Esquerda?

Nestor Neto – PMDB: Os partidos de esquerda no Brasil, historicamente, sempre viram o governo ou os partidos que compunham os governos como “vidraça” e eles como sendo “a pedra”; assim, aproximaram-se do movimento estudantil porque se opunham a um modelo de gestão na área educacional e da política econômica do país... Com esse discurso, ganharam adeptos nas universidades e escolas públicas do país. Mas a esquerda do passado ocupa o governo; e quando comparamos o seu discurso antes de assumir a situação com o que é feito hoje percebemos que está na contramão do que sempre pregou.

Colunista: Um discurso demagogo! Mantiveram as práticas que criticavam...

Nestor Neto – PMDB: A política econômica, por exemplo, da esquerda que hoje ocupa o governo é a mesma visão econômica do PMDB da década de 80 e de FHC da década de 90 (os pilares econômicos, a visão da educação etc.). Enfim, é muito fácil aglutinar pessoas a partir de um microfone, megafone ou discursos eloqüente em salas de aula, praças e ruas, com bandeiras levantadas em frente a vários órgãos públicos... Diferente de quem está por trás da máquina estatal - que não tem como aglutinar pessoas porque são responsáveis pela gestão do país. O PMDB é o maior partido do Brasil com o maior número de senadores, prefeitos e vereadores eleitos, somos a segunda bancada do congresso.

Colunista: Porque um jovem ingressa num partido conhecido por práticas políticas retrogradas e comandado por velhos caudilhos?

Nestor Neto – PMDB: A escolha pelo PMDB se deu por acreditar no diálogo com as pessoas, sobretudo em um partido como PMDB – Partido do Movimento Democrático do Brasil -, onde se ouve e é ouvido, onde você tem vez e voto... Isso não acontece em alguns partidos de esquerda, que se dizem democráticos, mas no máximo uma ou duas pessoas tomam as decisões e impõe seus pensamentos aos demais. Temos um exemplo recente; vimos o ex-presidente Lula impor o nome do seu pupilo Fernando Haddad - então Ministro da Educação – como candidato a prefeito de São Paulo, mesmo tendo como preferida a atual Senadora Marta Suplicy, seguida de Aloísio Mercadante e outras figuras renomadas do PT de São Paulo... Mas, distante de tudo isso, prevaleceu a opinião do ex-presidente e fundador do partido.

Colunista: Embora tenha um passado de luta pela Democracia, o seu partido não possui ideologia e posicionamentos muito bem definidos – sempre buscando se abrigar em qualquer governo. Como você avalia?

Nestor Neto – PMDB: O PMDB sempre teve uma ideologia, o que aconteceu foi que o partido simplesmente deixou a vanguarda dos interesses do povo brasileiro no discurso e passou a implementá-los na prática. Desde a eleição de Tancredo Neves, o PMDB deixou de lutar pelo povo brasileiro indo às ruas e passou a utilizar a máquina estatal para o mesmo fim, contribuindo efetivamente para o início das transformações sociais que o Brasil vive hoje - pois não existe presente sem passado.

Colunista: Como a Juventude do PMDB absorve a política de alianças do governo Lula, que tenta cooptar partidos políticos e parlamentares com cargos, emendas, Ministérios...

Nestor Neto – PMDB: Avaliamos de forma muito simples: o PT sempre posou como paladino da moralidade e no primeiro mandato do presidente Lula em 2003 - ano do Mensalão -, o mesmo não queria aliança com o PMDB... O ex-ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu, iniciou uma conversa com os líderes peemedebistas, mas foi desautorizado pelo então presidente. O PT definiu uma política de varejo no Congresso Nacional, negociando cada votação e tentando imprimir um modelo de negociação que eles sempre utilizaram no movimento sindical, mas que não funcionou no Congresso, pois cada cabeça é um mundo...

Colunista: Mas, há muitos anos vocês são aliados; mesmo o PT tendo criticado duramente algumas das maiores lideranças do seu partido, como Sarney, Renan, Temer...

Nestor Neto – PMDB: Quanto à difamação que o PT sempre fez não só aos líderes do PMDB, mas de outros partidos, e também aos grandes empresários deste país, era só um “teatrinho” para mantê-los como proprietários absolutos da ética. No entanto, eles cresceram às custas dos trabalhadores que através do imposto sindical sempre mantiveram o Partido dos Trabalhadores. Logo após o escândalo do Mensalão, percebeu-se que o PMDB era a melhor alternativa para governar por que não precisava pagar Mensalão e o partido poderia fornecer quadros para ajudar a governar.

Colunista: Poderia ajudar a governar com honestidade, então...

Nestor Neto – PMDB: Não digo que no PMDB só existam pessoas honestas, mas asseguro que nunca pousamos de intocáveis como o PT e membros importantes do partido estão respondendo processo no Supremo Tribunal. O Brasil não precisa de um Salvador da Pátria, precisa de homens e mulheres comprometidos com o desenvolvimento deste país e um bom uso do erário.

Colunista: O PMDB apresentou um “Programa para o Avanço do Brasil”, no qual o Vice Presidente Michel Temer, afirma que “o PMDB visa alcançar todas as classes sociais, com moderação, equilíbrio, respeito e atenção às instituições constitucionalmente fixadas”. O partido tem respeitado às instituições democráticas?

Nestor Neto – PMDB: O partido tem um programa bem definido, com respeito às instituições; a nossa história prova isso. Fomos nós que abrigamos na ditadura militar todos os partidos e companheiros de lutas, lutamos em defesa da liberdade do Brasil, fizemos as Diretas Já, garantimos que após a morte de Tancredo Neves o vice-presidente num momento de turbulência política assumisse a presidência para garantir a democracia, enquanto vários outros partidos foram contrários, a exemplo do PT.

Colunista: Vejamos: Sarney paga consultoria de imagem com dinheiro público; Pedro Novais foi afastado do comando do Ministério do Turismo após descoberta de um esquema de corrupção; Raupp (Presidente do Partido) acabou de pagar viagens com a esposa com dinheiro público; Renan é investigado por improbidade... Talvez não se possa falar em respeito às instituições...

Nestor Neto – PMDB: Raupp, Sarney, Pedro Novais e Renan fazem parte do partido, mas eles não são o partido porque eu e outros milhões de filiados ao PMDB não cometeram nenhuma irregularidade. O governador do Distrito Federal está envolvido em muitos escândalos, uma parcela dos dirigentes do PT está envolvida ou se envolveu em enriquecimento ilícito - como é o caso do ex-ministro Antonio Palocci e o atual ministro Fernando Pimentel, Genuíno, João Paulo Cunha, Jose Dirceu e vários outros que alegaram cumprir determinação do partido. No entanto, a sociedade e a impressa não dizem que o PT só que se dar bem na Presidência.

Colunista: Parece-me que as maiores contribuições do PMDB para o “Avanço do Brasil” seriam: afirmar-se como um partido programático; abandonar o comportamento que prioriza trocas de favores; afastar-se da recorrente postura de que o patrimônio público é propriedade pessoal...

Nestor Neto – PMDB: O PMDB vem ao longo desses anos todos com Ulysses no passado, com o senador Pedro Simão hoje, com milhões de militantes defendendo os interesses do Estado brasileiro. Não podemos jogar um partido no lixo por que três ou quatro pessoas (ainda que fossem mil) tiveram ou tem comportamentos equivocados. Ao longo dos anos, o PMDB tem demonstrado compromisso com o povo brasileiro: seja com um vereador na menor cidade do Brasil ou com o nosso vice-presidente da República Michel Temer a maior representação política do partido.

Colunista: O Senador Eunício de Oliveira (PMDB) - que preside a Comissão de Constituição e Justiça - tem cobrado celeridade na votação do Estatuto da Juventude. O que é o estatuto?

Nestor Neto – PMDB: O estatuto é um marco importante para a juventude brasileira, pois contem ações fundamentais em todas as áreas que afetam os jovens do Brasil, principalmente no combate as drogas. Penso que o governo, além das políticas incutidas no estatuto, precisa ter uma postura mais séria com relação ao combate às drogas, com um plano bem definido para o controle nas fronteiras; redefinição do sistema prisional (que é hoje uma “mãe”), elaborando leis rígidas que acabem com essa pouca vergonha de habeas corpos que serve de trampolim para a bandidagem entre outras políticas; criar condições para que tenhamos uma econômica sólida para que o jovem tenha espaço no mercado de trabalho com formação e oportunidades de emprego.

Colunista: Visando a capacitação de novos quadros, o partido realiza ações para os jovens militantes?

Nestor Neto – PMDB: Evidente que sim. O PMDB tem uma Fundação que trabalha o ano inteiro na formação de quadros do partido com o curso de Formação Política, não só do para filiados do partido, mas para toda sociedade, já que a Fundação Ulysses Guimarães desenvolve alas em universidades, escolas públicas, associações de bairro etc., Mas não para por aí... O PMDB realiza encontros nacionais e regionais com os núcleos da Juventude, Mulheres e Sindical, para que os seus militantes estejam de fato orientados para assumir cadeira no legislativo e no executivo.

Colunista: E qual o tema mais discutido?

Nestor Neto – PMDB: A maior luta da juventude do PMDB é em prol de uma revolução na educação do nosso país, pois só com educação poderemos transformar a nossa sociedade despolitizada, em uma sociedade altamente instruída politicamente, não permitindo que a mídia forme sua opinião e que tenham uma maior participação nos debates eleitorais. Dessa forma poderemos ter melhores temas para debate, bem mais interessantes do que tivemos em 2010, que giraram em torno de bolsa família ou crença religiosa dos candidatos e candidatas.

Colunista: Qual a agenda do PMDB para a juventude nos próximos anos?

Nestor Neto – PMDB: Dentre as diversas atividades que o PMDB tem os próximos anos com a juventude, estão rediscussão do papel da UNE e UBES, ampliação da participação dos jovens em pleitos políticos para vereadores, deputados e na ocupação de cargos estratégicos para as transformações necessárias para a juventude, entre outras ações que serão desenvolvidas ao longo desse ano.

Colunista: A internet e as redes sociais têm afastado os jovens da militância política?

Nestor Neto – PMDB: Não; a internet é um poderoso instrumento para mobilização rápida e com capacidade de aglutinação em larga escala. No passado, um grande ato levava meses para ser construído, fazia-se uso de carro de som para divulgação, era necessário um intenso trabalho de passar em salas de aula para convencer os estudantes... Hoje, o meio de divulgação pode durar apenas o tempo de se publicar um texto na rede que será visto por milhares de pessoas interligadas ao mesmo tempo. Ainda assim, defendo que não podemos renunciar o direito legítimo, que temos garantido pela Constituição Federal, de nos opor a determinadas manobras do governo. Infelizmente temos visto um estilo de política ultrapassado, que impede atos em defesa da sociedade, até mesmo com práticas de cooptação de figuras e entidades que sempre estiveram na vanguarda dos interesses da juventude, como é o exemplo da UNE e UBES.

Colunista: Neste cenário, quais as referências políticas para a Juventude do PMDB?

Nestor Neto – PMDB: Admiro bastante a intensa habilidade política que teve Ulysses Guimarães, um homem de posições fortes, um estadista por excelência. E vejo hoje no cenário político como grandes nomes que me trazem inspiração Geddel Vieira Lima e Pedro Simon.

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