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CDP In Sampa

04/04/2012 08:26

Em busca do sonho, castelense vai de servente de pedreiro a advogado em São Paulo

Durante a Expedição CDP In Sampa tivemos o enorme prazer de encontrar com uma pessoa que é um verdadeiro exemplo de superação, força de vontade e determinação. Essa pessoa saiu de Castelo do Piauí com 17 anos de idade, tendo concluído apenas a 4ª série do ensino fundamental. Mas hoje é advogado e trabalha em um escritório de advocacia localizado no Distrito de Santo Amaro, zona sul de São Paulo.
Imagem: CDP In SampaOdair Lima entre os administradores do Portal CDP em frente ao prédio do TJ de SP(Imagem:CDP In Sampa)Odair Lima entre os administradores do Portal CDP em frente ao prédio do TJ de SP
O nome dessa figura é Odair Lima, também conhecido como Odair Castelo. A admiração pela cidade natal fez com que Odair registrasse o filho mais novo com o nome de Luca Castelo. Odair mora com a esposa, a baiana Raimunda, a filha Juliana e o caçula Luca. Odair também tem um grande companheiro na sua casa, um Rottweiler muito simpático e obediente, o Boni.
Imagem: PessoalOdair com a família no aniversário de 12 anos da filha Juliana(Imagem:Pessoal)Odair com a família no aniversário de 12 anos da filha Juliana
Odair nasceu na localidade Curral Novo, próximo ao povoado Cumbe de Baixo, há mais de 50km da sede do município de Castelo do Piauí. Aos sete anos se mudou acompanhando o pai, seu Francisco Odorico da Silva, mais conhecido como Chico Alcides e a mãe, Dona Neza. Odair lembra muito bem dos ensinamentos que os avós, seu Miguel Luca e Dona Francisca sempre transmitiram: lutar pelos objetivos, respeitando o próximo sem passar por cima de ninguém para vencer na vida. A história de trabalho de Odair começou ainda em Castelo, aos 16 anos, embora menor, já trabalhava em pedreiras, tirando pedras para cobrir as ruas da cidade. “Era um trabalho muito duro e mal remunerado, percebi que teria de buscar novos horizontes se quisesse sair daquela realidade. Na época a maioria dos jovens estava indo para São Paulo, então resolvi que lá poderia executar trabalho semelhante ganhando um pouco mais. Assim fiz, aos 17 anos vim para São Paulo”, declarou.

Odair, como a maioria dos castelenses que vão para São Paulo trabalhar, encontram na construção civil a oportunidade de emprego. Como não tinha nenhuma qualificação, iniciou como ajudante de pedreiro, mas passou pouco tempo na função e deixou o ramo para trabalhar como segurança, tendo trabalhado apenas em duas empresas durante esses pouco mais de 20 anos de São Paulo.

A conciliação entre trabalho e estudo foi muito difícil para o, hoje, advogado Dr. Odair Lima, que trabalhava até às 19 horas e tinha que está na escola às 19h30min. Para chegar ao local de estudo corria 2 km e quase sempre a primeira aula era sacrificada. Contando com a compreensão de alguns professores que “perdoavam” essas faltas. Odair conseguiu com muita luta concluir o Ensino Fundamental.

Começou o Ensino Médio em um período em que trabalhava à noite, o que permitia que tivesse tempo durante o dia, porém o cansaço era muito grande, uma vez que o dia seria o momento de refazimento e descanso. Em virtude dessa dificuldade, Odair desistiu por algumas vezes em terminar o ensino médio. Mas a vontade de adquirir conhecimento e o amor pelo direito sempre foram fonte de forças para que prosseguisse nos estudos, e com muita determinação conseguiu concluir o ensino médio e partir para outra etapa: a conclusão do tão sonhado curso de direito.

Odair fez vestibular em universidades públicas, porém a concorrência para entrar numa dessas instituições era muito grande, nos vestibulares prestados sempre ficou classificado, mas não entre o número de vagas para acesso imediato e como o curso de direito em uma faculdade particular tinha um custo muito elevado, Odair via o seu sonho cada vez mais distante. E como obra do destino, para complicar, no dia em que ia prestar o exame do vestibular da mais concorrida universidade de São Paulo, a USP, aconteceu um fato inusitado. “Logo pela manhã, ao sair do trabalho, tive meu carro roubado. Não podia ficar sem carro, então o procurei das 6 até as 10 horas da manhã, finalmente encontrei, embora tivesse que pagar um bom valor para ter o veículo de volta. Após esse perrengue, tomei um banho e fui fazer a prova. Não passei por falta de 3 pontos”, disse Odair, relembrando o fato.
Imagem: PessoalOdair Lima em frente ao Tribunal de Justiça de São Paulo(Imagem:Pessoal)Odair Lima em frente ao Fórum Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo
“Não poderia desistir”, era o que Odair dizia pra si mesmo. Foi que, através de um amigo, Odair conheceu uma ONG chamada EDUCAFRO, que tem por finalidade a inclusão de pessoas de pouco poder aquisitivo no meio universitário. Essa ONG mantém cursinhos de pré-vestibular mantido pelos próprios alunos, através de pequenas colaborações mensais a um custo muito reduzido. A EDUCAFRO também mantém convênios com várias faculdades particulares que ofertavam bolsas para alunos oriundos do pré-vestibular ofertado pela ONG. Como egresso do pré-vestibular da EDUCAFRO, Odair prestou vestibular para a UNISA – Universidade de Santo Amaro e passou em 7º lugar, ganhando uma bolsa de 75%. “O curso foi muito difícil, trabalhava à noite e estudava durante o dia, às vezes aproveitava o horário do almoço na universidade para dormir no banheiro, tinha que escolher entre almoçar e dormir. Além de toda dificuldade para conciliar os horários, tinha que estudar mais que os outros, pois no contrato da bolsa havia uma cláusula que dizia que o bolsista não poderia ser reprovado em nenhuma disciplina, caso isso acontecesse haveria a suspensão da bolsa”, afirmou.

Depois da sua colação de grau, em janeiro de 2009, Odair ainda tinha mais um grande desafio pela frente, a aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB/SP. Ainda em 2009 foi aprovado e hoje exerce a profissão de advogado. “Hoje sou advogado e trabalho em um escritório em Santo Amaro, mas ainda continuo trabalhando como supervisor na empresa em que estou há mais de 15 anos”, disse.

Odair comentou que apesar de tanto tempo em São Paulo e de ter construído uma família por lá, ainda pensa muito em Castelo do Piauí e que pretende voltar para sua cidade natal, para perto dos familiares e amigos. “Estou me preparando para voltar, quero fazer o caminho de volta, mas com muito planejamento e organização. Por enquanto, vou a Castelo a passeio sempre que é possível, como agora, em Julho, durante as férias para revisitar o evento que tem destacado o nosso município, o Cachaça Fest.”, disse.
Imagem: PessoalJuliana no Parque Ibirapuera com o Boni(Imagem:Pessoal)Juliana no Parque Ibirapuera com o Boni.

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