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CDP In Sampa

12/04/2012 00:40

Desde os 17 anos em São Paulo, empresário fala do começo difícil e como lidou com as adversidades

Continuaremos a contar a história dos irmãos buritienses que foram para São Paulo e tornaram-se grandes empresários. Desta vez vamos conhecer a história de como José Artevaldo de Souza começou sua vida em São Paulo aos 17 anos e hoje está à frente da empresa Souza Amaral São Paulo Construções Ltda.

Artevaldo saiu de Buriti dos Montes, da comunidade Santo Antônio dos Patrícios, em outubro de 1979, 5 anos depois que seu irmão, o hoje também empresário Ribamar (Clique Aqui para conhecer a sua história).

Imagem: CDP in SampaArtevaldo de Souza, empresário buritiense que vive desde os 17 anos em São Paulo(Imagem:CDP in Sampa)Artevaldo de Souza, empresário buritiense que vive desde os 17 anos em São Paulo

O empreiteiro nos contou que cresceu na zona rural e não tinha contato com a cidade. Não conhecia nem mesmo Castelo do Piauí quando foi a São Paulo e a primeira impressão foi um choque de realidade. A referência que tinha do seu destino era um endereço escrito num envelope. Ele deveria ir para uma pensão em que já moravam outros conterrâneos e como não saberia localizar o endereço indo de ônibus, foi obrigado a pegar um táxi. Agora começa a aventura do jovem Artevaldo na capital paulista.

O taxista, ao perceber que se tratava de alguém que não conhecia a cidade, deu voltas e mais voltas cobrando muito caro pela corrida, deixando-o longe do endereço que tinha nas mãos. Teve que perambular pelas ruas, pedindo informações a um e outro, até encontrar sua hospedagem. “Quando eu cheguei naquela pensão e vi rostos conhecidos, foi como se tivesse chegado ao céu, porque você ficar até 12 horas da noite num lugar que nunca viu ninguém, bate um desespero”, descreve.

Mesmo entre conhecidos, tinha ali mais um contratempo, pois não havia cama para todo mundo. “O quarto tinha 4 beliches, cabiam 8 pessoas. Cada cama de solteiro era ocupada por duas pessoas e só tinha uma com apenas uma pessoa, então falei: é aqui mesmo”, conta bem humorado.

Imagem: CDP in SampaArtevaldo (à dir.) e Ribamar com os administradores do Portal CDP(Imagem:CDP in Sampa)Artevaldo (à dir.) e Ribamar com os administradores do Portal CDP

No dia seguinte saiu para procurar emprego, mas não teria como ser fichado porque não tinha idade para tirar o Título de Eleitor, documento exigido na hora do registro funcional. Tentou então tirar o documento como analfabeto, mas na hora da entrevista acabou revelando a verdadeira idade, o que deixou o atendente muito aborrecido por já ter preenchido todos os formulários para uma pessoa que não poderia ter o documento devido à idade. Mesmo sem o título, ajeitaram para ele trabalhar registrado como ajudante de pedreiro.

Primeiro dia, primeiros desafios

Artevaldo lembra que no primeiro dia de serviço foi escalado para ajudar a descarregar uma carreta de sacos de cimento. Contou que o material estava ainda muito quente e ele, com 51Kg na época, passou o dia inteiro carregando sacos de 50Kg. Devido à alta temperatura do cimento, Artevaldo ficou com sérias queimaduras nas costas.

No dia seguinte, foi designado para trabalhar na escavação da fundação do 4º subsolo da obra. Com uma semana neste setor, sofreu outro acidente de trabalho, desta vez mais grave: dois pregos perfuraram um dos seus pés. Ao chegar ao hospital, descobriram que ele não tinha idade para trabalhar na construção civil e acionaram o Ministério do Trabalho e o sindicato da categoria, o que causou grande transtorno para a empresa. No final da confusão, o seu empregador responsabilizou-se pelo jovem até que este atingir a maioridade.

Visão de empreendedor

Trabalhou então por sete anos na mesma empresa, onde começou como ajudante de pedreiro e tornou-se azulejista. Teve então a idéia de seguir a tendência dos profissionais da sua área e começou a trabalhar como autônomo. O agora empresário conta que o seu trabalho nunca foi reprovado pelos contratantes. Artevaldo ensinou então o ofício ao seu irmão que hoje é um dos melhores azulejistas que conhece.

Abertura da empresa

Por volta de 1987, o mestre de obras de uma firma para a qual prestava serviço sugeriu que Artevaldo abrisse uma empresa e garantiu que contrataria o seu trabalho. E assim foi feito. Mesmo sem conhecimentos de como administrar uma firma, entrou para a iniciativa privada formalmente.

Trabalhou por 22 anos prestando serviços para a mesma empresa, sempre pegando os contratos que exigiam maior perfeição na execução do trabalho, tão grande era a confiança depositada nele.

O empresário que já chegou a ter 700 funcionários nunca pensou em desistir. “O pessoal do nordeste quando vinha para São Paulo tinha o objetivo de ser alguma coisa, de realizar um sonho. Comigo não foi diferente” explicou.

Artevaldo diz não ter mais vontade de voltar a morar no Piauí, pois já tem sua vida construída na capital paulista. Mesmo assim, vai todos os anos à sua terra natal. Casado com a castelense Valdenir, tem dois filhos: o Júnior, que trabalha com ele nas obras e o Rule, que ainda está estudando.

A última edição do Cachaça Fest, em Castelo do Piauí, contou com o patrocínio da Souza Amaral São Paulo Construções Ltda. Neste ano o empresário patrocinará o aniversário de Buriti dos Montes, que já tem como garantida a presença dele.

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