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CDP Cultura

09/12/2013 12:03

TV Antena 10 contará as aventuras do "Endiabrado" Vicente Nunes, o castelense que participou de uma guerra

O repórter Weslley Sales, da TV Antena 10, com o cinegrafista Volmar Cardoso, estiveram em Castelo do Piauí nos dias 7 e 8 de dezembro para gravar matérias especiais para o programa Balanço Geral da emissora piauiense.
Imagem: Augusto Júnior(Imagem:CDP | Anderson Lima)Equipe de filmagem na trilha da Pedra do Vicente
Dentre as reportagens está a do “endiabrado” Vicente Nunes, figura folclórica castelense que segundo a história oral, era uma das pessoas mais temidas e destemidas da então Vila de Marvão pela coragem audácia e intrepidez.
Imagem: Augusto Júnior(Imagem:CDP | Anderson Lima)Sr. Manoel Cazuza, morador da Localidade Manoel Lopes, ao lado do cinegrafista Volmar Cardoso

O Endiabrado Vicente Nunes

Contam os mais antigos moradores da Vila de Marvão que o afamado valentão tinha um sonho de tocar viola, mas não conseguia aprender até que um dia o cabra fez um pacto com o diabo que lhe deu todos os dons que desejava. Certo dia Vicente apareceu tocando uma viola para surpresa de todos que olhavam de forma admirada. Depois do pacto feito e de ter aprendido a tocar o instrumento, Vicente Nunes se arrependeu e recusou a entrega da própria alma para o capeta.
Imagem: Augusto Júnior(Imagem:CDP | Anderson Lima)Weslley Sales ouvindo a história do Vicente Nunes antes de gravar a matéria
Malandro que era e diante das investidas do capeta em tentar levar sua alma, o astuto sertanejo driblou o caninana de borda tirando sangue de uma pobre galinha e dando-lhe como se fosse o seu. Ao descobrir a malandragem, o diabo tentou entrar em seu corpo, mas, esperto como sempre, o corajoso homem, mesmo sendo arrastado no chão arenoso, valendo do ato religioso e movido pela fé, fez cruzes com os pés na areia afastando de vez o cramunhão, mas sem saber o homem de bom coração ficou possuído e a partir de então começou a ter atitudes perversas.

Segundo se fala em Castelo, Vicente Nunes em um momento de loucura, ateou fogo na própria casa na localidade São José de Dentro, zona rural de Castelo do Piauí e acidentalmente matou suas duas irmãs queimadas. Contam ainda que ele matou sua mãe a golpes de machado e comeu o fígado dela. Por ser tão corajoso e ao mesmo tempo perverso e depois de ter ficado muito tempo preso, Vicente Nunes foi recrutado para lutar na guerra.

O roubo do badalo do sino da Igreja de Nossa Senhora do Desterro

Uma das histórias mais faladas a respeito do endiabrado foi a do roubo do badalo do sino da igreja matriz de Nossa Senhora do Desterro, que tinha como pároco Pe. Virgílio, que esteve em Castelo na década de 20. Vicente Nunes levou o objeto para um lugar de difícil acesso, escondendo em cima de uma pedra nas proximidades do sitio arqueológico Três irmãos na localidade Manoel Lopes, o lugar hoje é conhecido por Pedra do Vicente.
Imagem: Augusto Júnior(Imagem:CDP | Anderson Lima)Pedra do Vicente, local onde o endiabrado castelense teria escondido o badalo do sino da igreja de Castelo
Depois de descoberto o roubo, a polícia foi ao local onde Vicente estava escondido. Chegando lá e vendo a dificuldade de escalar a rocha, os policiais ordenaram para ele descer, como era de costume a ordem não foi acatada e caçoando das milícias, teria dito para eles subirem até lá para pegar o badalo.

Os policiais ficaram impressionados com tamanha astúcia e coragem daquele homem ao conseguir subir em um bloco de rocha daqueles, sem qualquer dificuldade e ainda sorrindo e zombando, algo difícil para um ser humano, só sendo mesmo endiabrado.

Passados alguns dias e depois de muitos pedidos Vicente chegou com o badalo e devolveu por vontade própria. Segundo dizem ele teria levado a peça por ser de sua madrinha Nossa Senhora do Desterro e para não roubarem ele alegou ter levado para proteger.
Imagem: Augusto Júnior(Imagem:CDP | Anderson Lima)Igreja Matriz de Nossa Senhora do Desterro, em Castelo do Piauí
Vicente Nunes na Guerra: A redenção

Por ter fama de valentão Vicente foi recrutado para servir em uma guerra, possivelmente a Segunda Guerra Mundial. Em um confronto numa batalha naval, uma bomba de canhão caiu dentro da embarcação que ele estava e antes da bomba explodir o sertanejo a pegou com as próprias mãos e jogou no fundo do mar, salvando a todos. O ato heróico do castelense que salvou a vida de muitas pessoas foi seguido de um vivas com todos dizendo “Viva o tenente Vicente Nunes”, mas de tão arredio que era o bravo soldado antes mesmo de ser condecorado, mandou a todos irem para aquele lugar, perdendo sua patente.
Imagem: Augusto Júnior(Imagem:CDP | Anderson Lima)Teresinha (à esq.), Sônia e Zélia: irmãs Cardoso contando a história passada através de gerações
O fim do homem que desafiou o diabo, não se sabe ao certo, depois de ter servido na guerra, ele não mais apareceu em Castelo e ninguém nunca ouviu falar sobre o temido e destemido endiabrado Vicente Nunes.

Pelo que pudemos ouvir de algumas pessoas de Castelo que tiveram pais ou avós que conheceram Vicente Nunes, é que ele era um homem de bom coração, porém sofria de alguns distúrbios mentais. Envolveu-se na tragédia que vitimou sua família, mesmo assim teve muitos atos de bravura, valentia, podemos dizer também de bondade, ficando conhecido na história como um verdadeiro herói de guerra.

As matérias entrárão nas pautas da emissora na segunda metade de dezembro.

Fonte: Manoel Cazuza (Localidade Manoel Lopes), Zélia, Teresinha e Sônia Cardoso
Texto: Augusto Júnior Vasconcelos / Paulo Clímaco


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