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21/08/2017 11:50

Fapepi apoia pesquisa que mapeia trecho da Bacia Hidrográfica do rio Poti

Desde março de 2016 a equipe coordenada pelo professor Me. Francílio de Amorim dos Santos do Instituto Federal do Piauí (IFPI), Campus Piripiri, com colaboração da profa. Dra. Cláudia Maria Sabóia de Aquino, docente da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e da discente Karoliny Fontenele Cerqueira (IFPI / campus Piripiri), vêm desenvolvendo o projeto intitulado “Diagnóstico do uso e cobertura das terras em trecho do médio curso da Bacia Hidrográfica do rio do Poti: subsídios ao planejamento ambiental”, aprovado e financiado por meio do Programa de Fomento ao Desenvolvimento Científico, Tecnológico e Inovação do Estado Piauí, via Edital de Chamada Pública n.º 006/2015 da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi).

“O trecho do médio curso da Bacia Hidrográfica do rio Poti foi delimitado para o estudo, abrangendo áreas dos municípios de Castelo do Piauí e Juazeiro do Piauí, sendo que a sede municipal desse último se encontra nos limites da área em estudo”, explica o Prof. Francílio Amorim.

​​​​​​O estudo deve obter informações importantes para a criação de estratégias voltadas ao uso racional dos mais variados recursos presentes na bacia, hídricos (rio Poti) e a vegetação da área, o que por consequência irá otimizar as formas de uso dos solos.
Dados da pesquisa
Em fase de conclusão o projeto já conseguiu alcançar diversos objetivos, que são importantes para o conhecimento da área em estudo. Para o desenvolvimento das etapas delimitadas no projeto a equipe contou com a aquisição de arquivos (vetoriais e matriciais) obtidos via órgãos governamentais e manuseados em Sistemas de Informação Geográfica (SIG) gratuitos.
Os resultados apontam que o trecho estudado apresenta fragilidade morfológica muito baixa a baixa, posto que 80,7% da área possua declividade que varia de 0 a 12%. Contudo, a predominância de fragilidade alta em 3,3% da área exige atenção, visto que esta percentagem de terras está sujeita a escorregamentos e, por conseguinte, impróprias para atividades agropecuárias. Nesse sentido, o Código Florestal, Lei nº 12.651/12, permite o exercício de atividades agrossilvipastoris, a manutenção da infraestrutura física e o desenvolvimento de atividades humanas, proibindo a conversão de novas áreas às práticas agronômicas, exceto as de utilidade pública e interesse social.

Outro importante elemento está relacionado ao potencial que os agentes de erosão, a exemplo da água, exercem na área, causando o desprendimento e transporte do solo. Em relação ao médio curso da Bacia do rio Poti 54,5% de sua área apresenta Erosividade média, ao passo que 13% do trecho possui Erosividade alta a muito alta, essa última área está localizada próxima a sede municipal de Castelo do Piauí.

Cabe, ainda, destacar que 59% dos solos do trecho da Bacia do rio Poti possuem alta Erodibilidade, devido serem solos jovens e pouco desenvolvidos, a exemplo dos Neossolos Litólicos e Quartzarênicos. Esses apresentam pouca resistência à desagregação de suas partículas, sendo essencial realizar a exploração desses solos observando suas potencialidades e fragilidades, visto que o uso sem manejo adequado pode resultar em processos de erosão e comprometimento de sua fertilidade. O estudo apontou que a sede municipal de Juazeiro do Piauí está assentada sobre solos extremamente frágeis, particularmente os Neossolos Litólicos.

Os solos da área apresentam níveis de proteção variáveis, posto que sejam recobertos por caatinga arbustiva, carnaubal, cerrado rupestre e em alguns trechos encontram-se expostos. Nesse sentido, por meio do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) foi possível visualizar mudanças no padrão de proteção da cobertura vegetal no trecho estudado, considerando-se os anos de 1989, 1999 e 2014. Entre os anos de 1989 e 2014 as classes de maior proteção (média, alta e muito alta) passaram por transformações, pois a classe de proteção muito baixa teve aumento da ordem de 3,4% de 1989 para 1999 e de 62% de 1999 para 2014. Mudanças nessa classe resultaram em perdas de 31,2% e 33,6% de 1989 para 2014, respectivamente, nas classes de baixa e média proteção. Por outro lado, a classe de proteção alta sofreu redução da ordem de 0,4% de 1989 para 1999, perdendo expressividade em relação a 2014.

Essas modificações nas classes do NDVI, especialmente nas classes média, alta e muito alta, possivelmente decorreram da redução dos cultivos permanentes, conforme apontam os dados do ano de 1989 para 2014, da Pesquisa Agropecuária Municipal Piauí, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Nesse intervalo de tempo os cultivos permanentes apresentaram redução da ordem de 94,4%, fato que pode ser associado à redução das classes de maior proteção da cobertura vegetal de 1989 a 1999 e desse para 2014. Além do exposto, cabe salientar que a ocorrência de totais de precipitação pluviométrica abaixo da média desde 2010, também, tem contribuído para as transformações no padrão da cobertura vegetal na área estudada.
A bacia hidrográfica do Poti
O rio Poti nasce na Serra dos Cariris Novos, município de Quiterianópolis no Ceará e segue n até a cidade de Crateús, onde flui no sentido sudeste–noroeste, passando pela cidade de Teresina, onde atravessa a Floresta Fóssil e deságua no rio Parnaíba, constituindo uma bacia de 52.370 km².

“Nesse cenário, cabe destacar que o desenvolvimento da presente pesquisa tem possibilitado produzir conhecimentos e aplicar metodologias na área do trecho do médio curso da Bacia Hidrográfica do rio Poti, bem como pode subsidiar outros estudos e servir de base para o desenvolvimento adequado das atividades humanas na área. Essas informações, que têm sido publicadas em eventos científicos e periódicos especializados. Por conseguinte, realça-se a importância da Fapepi como fundação financiadora de pesquisas de cunho científico no estado do Piauí. Ao realizar a integração de dados, dispersos em diversos órgãos governamentais, refinando-os e permitindo a aplicação de metodologias consagradas, associadas ao trabalho de campo, o estudo deve subsidiar também os governantes na construção conjunta de estratégias para o desenvolvimento de atividades de modo racional, agredindo o mínimo os recursos hídricos (rio Poti), a vegetação da área, notadamente a mata ciliar, e otimização das formas de usos dos solos. Ressalta-se, que o reconhecimento da área permitirá o aproveitamento da geodiversidade e patrimônio geomorfológico da área para atividades turísticas”, finalizou o Prof. Francílio Amorim.

Autoria: Ascom Fapepi

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